SII - Síndrome do Intestino Irritável

SII - Síndrome do Intestino Irritável

Por Dr. Nelson de Souza Liboni

Compartilhe:

  • É uma alteração funcional. Doença benigna que altera qualidade de vida
  • 28% dos pacientes que procuram o gastroenterogista apresentam SII
  • Alguns não procuram por baixas queixas e períodos de acalmia
  • Qualquer idade, maioria adultos jovens, mulheres (2:1) entre 20 a 40 anos, mais comum no ocidente. A incidência da SII se situa em torno de 1,5% ao ano.
  • Não se demonstrou, até o momento, qualquer alteração metabólica, bioquímica ou estrutural das vísceras envolvidas com modificação da função intestinal, sendo de evolução crônica.
  • É uma desordem gastrointestinal funcional caracterizada por dor, desconforto abdominal (inchaço ,flatulência, distensao) e alterações do hábito intestinal.As vezes com sintomas de muco nas fezes,urgência evacuatória.
  • Em breve, talvez deixará de ser decorrente de erros funcionais, passando para doença orgânica , de natureza bioquímica, cujo inicio estaria relacionado com previa exposição do intestino a agentes agressores interferindo na integridade celular e metabólica, principalmente na resposta imunológica.

Fisiopatologia

  • resposta aumentada de estímulos habituais da musculatura lisa
  • qualquer víscera, desconforto múltiplo
  • pode desencadear alimentação, estresse físico ou psíquico ou hormônios gastroentericos

Fatores

  • Fatores etiopatogênicos como distúrbios motores, anormalidades na percepção visceral e regulação das conexões do sistema nervoso central com sistema nervoso entérico, fatores psicossociais, ambientais e genético, alteração da micro flora intestinal e modificações da mucosa em parte desse grupo (com história prévia de infecção intestinal) se somam ao quadro .
  • Hiper-reatividade ocorre por maior estimulo, receptores químicos com maior sensibilidade, mediadores ampliam em determinadas situações a resposta muscular
  • A disfunção pelo aumento dos neurotransmissores intestinais relacionados a serotonina como os receptores 5 HT3 e 5 HT4 das terminações nervosas intestinais atuando na motilidade, secreção e sensibilidade locais
  • Os antagonistas 5 HT3 diminuem secreção, sensibilidade , retardam transito no cólon e aumentam tônus muscular e no 5 HT4 aumentam tônus , secreção agua e eletrólitos, reflexos peristálticos e diminuem sensibilidade visceral.
  • são complexos e não esclarecidas. A microbiota intestinal cada vez mais esta sendo considerada. Tais modificações aumentam permeabilidade intestinal, células inflamatórias da parede do intestino, alterações da motilidade, secreção intestinal, comunicação do intestino com o cérebro (eixo cérebro intestino)

Diagnostico

  • dados clínicos e ausência de alteração nos exames.
  • disfunção funcional, tempo de evolução longo com poucas variações .Pelos critérios de ROMA dor e desconforto abdominal em período maior que 12 semanas em 1 ano associados ao menos a 2 sintomas:
    • dor aliviada a defecção
    • dor associada ao ritmo da evacuação
    • mudança na consistência das fezes
  • maiores as chances de diagnostico com diarreia constante e alternância do ritmo, urgência evacuatória , sensibilidade da evacuação incompleta, muco nas fezes , distensão abdominal e flatulência.
  • pode ser difusa ou mais no quadrante inferior esquerdo ou hemi abdome esquerdo
  • diarreias são mais matinais, após o café da manha pelo aumento do reflexo gastro ileocolico.
  • Saem inicialmente solidas depois pastosas ou liquidas . Ocorre fragmentação das fezes por eliminação incompleta. As cólicas melhoram após a saída de gazes ou fezes. A urgência evacuatória ocorre por hipertonicidade retal e dificuldade controle esfincteriano . Não acontecer a noite pode explicar a participação psicológica da liberação neurotransmissores intestinais.
  • Pode sair muco, mas sangue é sinal de alarde para maiores investigações.
  • Constipação se caracteriza por evacuação difícil diárias, baixos volumes, endurecidas, maior sensibilidade evacuatória.
  • Mistas acaba predominando ou diarreia ou obstipação
  • Indeterminada
  • Pode ter dores no estomago, azia, digestão lenta e náuseas. A dispepsia funcional não tem causas orgânicas. Pode ser tipo ulceroso, dismotilidade ou não especifica / incaracterística.
  • Dor maior a palpação abdominal em sigmoide e colon esquerdo, maior timpanismo e ruídos, toque com hipertonia . A distensão abdominal não visto no exame clinico e não confirmada RX é explicado pela hipersensibilidade visceral. O enema opaco pode mostrar espasticidades, perda de haustrações e divertículos.
  • Individuo eructa com mais frequência por aerofagia (ansiedade, falar muito)
  • Relacionar estímulos emocionais mas não há perfil psiquiátrico claro
  • Diferencial relacionada com alimentos pela intolerância alimentar, alergias, DII, parasitas, bactérias e etc. Pedir coprocultura, protoparasitoloigico, pesquisa de rotavirus, yersínia, campylobacter, cryptosporidium, clostridium deficile, fungos.Importante fazer os laboratoriais como hmg, proteína c reativa, alfa 1 glicoproteinas acida, glicemia, dosagem dse hormônios, colonoscopia, enema opaco e etc.

Terapêutica

  • diminuir gases . Evitar pêssego, suco maçã, pera, ameixa, chocolate, gelatina, frutas, suca de uva, alimentos diets, sorbitol e ou frutose. Certos cereais, verduras e leguminosas (brócolis, beterraba, couve flor, repolho, couve e todos os grãos), líquidos gaseificados.
  • Aumentar fibras celulose, hemicelulose e lignina, mucilagens, gomas e pectina. Aumentam absorção de agua e do bolo fecal.
  • Aumentar ingestão de trigo, aveia, vagens, psyllium para constipados e na diarreia diminuem a contratilidade sigmoide coordenando a atividade peristáltica colonica com fezes mais compactas (diminuem evacuação e aumentam o volume)
  • Aumentar ingestão de agua
  • Diminuir ingestão de gordura
  • Diminuir alimentos que desencadeiam sintomas como leite, feijão, etc

Medicamentos

  • Tratamento farmacológico devera se restringir aos períodos sintomáticos e suspenso durante as fases de remissão. Visam corrigir as alterações da motilidade intestinal e da hipersensibilidade visceral.
  • <>Anticolinergicos/ antiespamodicos - < tônus e atividade segmentadora do sigmoide, dor e constipação espastica
    Atropina, homatropina, hioscina, dicicloverina , metilbrometo de homotropina e etc
  • Opiaceos e derivados são usados para diarreia como elixir paregórico, loperamida, difenoxilato e codeína. Relaxam tônus das fibras musculares lisas e coordenação da atividade segmentadora com baixos efeitos colaterais
  • Laxantes para aumento do bolo fecal regularizam intestino na obstipação ou diarreia.
    Na obstipação evitar irritantes de mucosa. Usar fibras ( fibras dietéticas, psyllium, plantago, policarbofila cálcica) e produtos osmóticos como lactulose, sais de magnésio, ou emolientes como óleos minerais.
    Diarreia as fibras agem como anticolinérgicos ou antidiarreicos.
  • Procineticos – domperidona, bromoprida metaclopramida para distúrbios digestivos altos e trimebutina e derivados da cisapride para constipação intestinal
  • Antagonistas do cálcio como brometo de pinaverium coordena motilidade do tubo digestivo, corrige espasmos do esôfago, estomago, intestino delgado e colons, esfíncter de oddi.
    Bloqueia subtipo “L” da musculatura lisa do tubo digestivo e não cardiovascular.
  • Antidepressivos nos casos com associação psicológica .Os tricíclicos são anticolinérgicos principalmente para dor e diarreia.
    Os pacientes que tiveram piores resultados ao tratamento foram aqueles com uso de psicotrópicos, mostrando como é complexo e variada a abordagem de portadores de SII.
  • Psicoterapia
  • Inibidores da prostaglandina -< atividade motora cólon e secreção na diarreia grave
  • Colestiramina para as diarreias por serem quelantes de sal biliar
  • Outros como Prucaloprida (resolor), Tegaserode (Zelmac) que aumentam secreção da agua e motilidade , diminuem hipersensibilidade e etc
  • Antibioticos para modificar flora intestinal e reduzir o processo inflamatório e a má absorção, principalmente para diminuir o meteorismo. Podem ser usados as quinolonas, metranidazol, etc. Usar por 7 a 10 dias
  • simbióticos – probióticos (lactobacilos) e prebióticos
    Probióticos significam “pró-vida ou a favor da vida” e foram usados na história como componentes naturais em alimentos saudáveis.
    Atualmente a definição de probióticos corresponde a micro-organismos vivos que quando administrados em quantidades adequadas conferem benefício à saúde do hospedeiro. Sabemos que eles reduzem a ativação de xenobióticos, modulam a produção de muco, estimulam o sistema imune, aumentam a excreção de nitrogênio, induzem a produção de hormônios intestinais, reduzem o ph facilitando a absorção de cátions, induzem apoptose, modulam a produção de lípides e glicose pelo fígado, modulam a microbiota intestinal.
    Os prebióticos são definidos como alimentos não hidrolisáveis no trato gastro intestinal superior que promovem crescimento de certas bactérias intestinais como bifidobactérias e lactobacilos, sendo fibras dietéticas solúveis e constituídos de carboidratos pouco absorvidos no trato gastro intestinal como inulina e oligofrutose Eles estão presentes em frutas e vegetais e seu consumo deve ser mantido entre 5 e 15g/dia .
    Os simbióticos são a união de prebióticos e probióticos com resultados animadores em diversas situações com resultados mais promissores do que usados isoladamente, enquanto a disbiose pode causar processo inflamatório intestinal em diversas doenças gastrointestinais como ocorre nas colites por C. difficile.
    Eles podem ser usados como prevenção da diarréia aguda, diarréia pós-antibiótico, prevenção da diarréia do viajante, constipação intestinal, prevenção de infecção respiratória e intestinal em creches, nas doenças inflamatórias intestinais, reposição de microbiota intestinal em idosos, aumento na absorção de sais minerais e na intolerância a lactose.
    Essa ação ocorre por inibirem a aderência de bactérias gram negativas, reduzirem ph colônico, secretarem inibidores de bactérias patogênicas, aumentarem o butirato e ação sobre motilidade do trato gastro intestinal, aumentarem a absorção de sais minerais, aumentarem a lactase, induzirem fatores de crescimento, aumentarem a produção de mucina, reduzirem citocinas inflamatórias, aumentarem interleucina-10, induzirem a apoptose e etc.
    Ela serve como proteção inibindo o crescimento de bactérias patogênicas ao organismo, melhorando a imunomodulação. O maior tecido linfóide do organismo é do intestino, contendo células imunológicas que interagem deixando o mesmo em estado de alerta. Essa interação faz o organismo responder prontamente a bactérias nocivas, evitando inicio de processo “inflamatório” intenso como nos pós-operatórios de grande porte associados a preparo de cólon e uso de antibióticos de largo espectro e na prevenção da colite por C. difficile.
    A qualidade da simbiose entre a microbiota e o intestino é tão estreita e benéfica que se podermos manter a flora saudável, ela terá menos reações inflamatórias causadas por patógenos, diminuição do uso de medicação, recuperação mais rápida com recidivas menores. Teremos menos efeitos colaterais e associações com menos medicamentos em uso (cardíacos, diabéticos etc.).

Notícias