Refluxo no Atleta
Por Dr. Nelson de Souza Liboni
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Definição de refluxo:
Quando parte do conteúdo gastroduodenal atinge esôfago e/ou órgãos adjacentes, acarretando um espectro variável de sintomas, sinais esofagianos, e extra esofagianos.
Prevalência:
A pirose ocorre em populações 20% uma vez por semana
Aproximadamente 20 milhões de adultos, apresentam regularmente sintomas de DRGE
12% da população urbana do Brasil apresentam sintomas.
Manifestações:
- TÍPICAS Ação do conteúdo gastroduodenal refluído sobre o esôfago. Pirose e regurgitação 90% de certeza de DRGE
- ATÍPICAS Ação do conteúdo gastroduodenal refluído sobre o esôfago, órgãos adjacentes ou aumento do reflexo esôfago-brônquico
Esofágicas: Dor torácica, disfagia, odinofagia e globus
Extra esofágicas: Orais, Pulmonares, Otorrinolaringológicas
Pacientes com manifestações atípicas frequentemente não apresentam pirose ou regurgitação
Barreira Anti refluxo
- Pressão EIE
- Compressão extrínseca do EIE pelo diafragma
- Localização intra-abdominal do EIE
- Integridade do ligamento freno esofágico
- Forma aguda do ângulo de His (entre o esôfago distal e o estômago próximal)
Mecanismos de Incompetência da Junção Esofagogástrica
- Relaxamentos transitórios do EIE
- Hipotonia do EIE
- Alteração anatômica na JEG
- Hernia de hiato
Exames
- Endoscopia, ph metria, manometria, EED, teste terapêutico, sistema bravo, Impedânciometria, outros.
Tratamento
A grande maioria tem tratamento clínico, mas alguns casos são cirúrgicos como:
- Não respondem bem ao tratamento, inclusive aqueles com manifestações atípicas, com refluxo devidamente comprovado (pHmetria e/ou impedância)
- Casos de pacientes em que é exigido tratamento contínuo de manutenção com IBP, especialmente aqueles com menos de 40 anos
- Grandes hérnias hiatais
- Regurgitação persistente
- Alguns casos de Barrett
Refluxo no atleta
A atividade física também tem sua contribuição para o alívio do refluxo gastroesofágico, devido ao aumento da contenção dos esfíncteres esofagianos, impedindo retorno do conteúdo do estômago. Além disso, tem efeito benéfico na flora intestinal o que reduz a produção gases, trazendo a sensação de bem-estar, além de ajudar na perda de peso.
O refluxo ocorre em exercício físico de alta intensidade, principalmente em portadores de esofagites erosivas por aumento da pressão abdominal como em levantamento de peso ou manobras de Valsalva (forçar a respiração com a glote fechada), atrapalham o esvaziamento gástrico e reduzem a motilidade esôfago-estomago ou exercícios deitados.
Os de baixa intensidade ou curta duração não exercem influência.
Mais de 58% dos sintomas dos atletas envolvem pirose, regurgitação e eructação.
O IMC (índice de massa corpórea) parece não ter relação, mas a gordura visceral aumenta o volume abdominal favorecendo o refluxo. Ocorre a alteração da barreira anti refluxo e aumenta as tensões nas junções esôfago gástricas
O refluxo gastroesofágico (RGE) pode ser agravado em atletas devido a fatores como aumento da pressão intra-abdominal durante exercícios intensos, alterações hormonais e mudanças na posição corporal. Atividades físicas intensas, como levantamento de peso, podem aumentar a pressão no abdômen, ultrapassando a pressão do esfíncter esofágico inferior e causando refluxo. Além disso, alterações hormonais, como as que ocorrem durante o ciclo menstrual ou em resposta ao uso de esteroides anabólicos, podem influenciar a função do esfíncter esofágico inferior e agravar o RGE.
Causas
- Distúrbios motores gastro esofágicos pela redução do fluxo sanguíneo mesentérico
- Alta pressão abdominal própria de algumas atividades
- Alteração junção esôfago gástrica e hipotonia do EIE
- Erros alimentares como excesso de fibras e gorduras na manhã do exercício ou dia anterior.
- Alimentos e bebidas que podem irritar a mucosa do esôfago ou relaxar o esfíncter esofágico inferior, como cafeína, álcool e alimentos gordurosos, devem ser evitados antes e durante o exercício, assim como chocolate, cítricos, menta, hortelã
- Engolir ar pela respiração errada durante a atividade fisica, distendendo o abdome com sensação de inchaço e gases
- Hormônios como anabolizantes, estrógeno e progesterona podem agravar os sintomas
Hormônios sexuais femininos, como a progesterona, podem relaxar o esfíncter esofágico inferior, enquanto o uso de esteroides anabólicos afetando a função do esfíncter e o esvaziamento gástrico.
- Posição durante o exercício:
Algumas posições adotadas durante certos exercícios podem favorecer o refluxo.
Exercícios que aumentam a pressão intra-abdominal, como levantamento de peso excessivo, corrida vigorosa e atividades que envolvem ficar deitado, pioram o refluxo gastroesofágico.
- Estresse e ansiedade:
O estresse e a ansiedade podem desencadear o aumento da produção de ácido estomacal e enfraquecer a musculatura do esôfago, favorecendo o refluxo.
Dicas evitar refluxo durante o treino
- Beber água antes, durante e depois do treino ajudará a eliminar os ácidos digestivos do esôfago mas em pequenas quantidades durante o treino.
É recomendado evitar exercícios de alta intensidade ou que causem muita pressão no abdômen, especialmente logo após as refeições. Alguns alimentos e bebidas, como café, álcool e alimentos gordurosos, podem piorar os sintomas e devem ser evitados.
Alimentos a evitar:
Alimentos gordurosos: Carnes vermelhas, frituras, fast food, molhos industrializados, maionese.
Alimentos ácidos: Frutas cítricas (laranja, limão, abacaxi), tomate, e produtos à base de tomate.
Bebidas com cafeína: Café, chá preto, chá verde, chá mate, refrigerantes de cola, bebidas energéticas.
Bebidas alcoólicas: Principalmente as fermentadas, como vinho e cerveja.
Bebidas gaseificadas: Refrigerantes e água com gás.
Alimentos com menta ou hortelã: Podem relaxar o esfíncter esofágico inferior, facilitando o refluxo.
Chocolate: Pode aumentar a produção de ácido no estômago e relaxar o esfíncter.
Alimentos picantes: Podem irritar o esôfago e aumentar a azia.
Alimentos com alto teor de açúcar: Podem aumentar a acidez estomacal.
- Roupas de ginástica justas pressionam a região abdominal e podem causar azia. Opte por roupas esportivas largas ou fluidas que ofereçam bastante espaço para respirar.
- Evitar medicações sem avaliação médica como teofilina, cafeína, tabaco, anticolinérgicos, antiinflamatórios não hormonais, bloqueadores de cálcio, serotonina, meperidina e outros
- Não fumar
- Praticar técnicas de relaxamento como exercícios de respiração profunda, meditação e ioga reduzindo o estresse e a ansiedade, que podem contribuir para o refluxo, principalmente antes de competições
- Manter um peso saudável pois o excesso de peso, especialmente na região abdominal, pode aumentar a pressão intra-abdominal e piorar o refluxo.
Dicas para corredores e nadadores
- A corrida pode causar enjoo ou a falta de ar e a náusea, seguida ou não de vômitos, é causada principalmente quando o atleta ultrapassa sua capacidade cárdiorrespiratória ou não está adequadamente preparado para aquela atividade. Quando o esforço é alto, o corpo reage com um reflexo vagal levando ao enjoo, falta de ar ou até vômito. A ingestão de alimentos hipercalóricos ou com alto teor de fibras perto de provas e o estresse mental também podem gerar essa sensação. É possível evitar isso diminuindo a ansiedade através de técnicas de relaxamento ou meditação. Faça uma hidratação adequada e, no dia anterior à prova, tenha uma alimentação rica em carboidratos e com pouca proteína e gordura, que são de difícil digestão. E não ultrapasse o ritmo permitido por você mesma, principalmente em provas de longa distância
- A congestão após nadar, frequentemente associada ao mito de entrar na água logo após comer, é mais um problema de digestão do que um problema específico da natação. A sensação de mal-estar ocorre quando há uma competição por fluxo sanguíneo entre o sistema digestivo e os músculos durante atividades físicas intensas, como nadar após uma refeição.
Digestão e fluxo sanguíneo:
Após comer, o sangue é direcionado para o trato digestivo para auxiliar na digestão. Se você se exercita intensamente logo em seguida, o sangue é desviado para os músculos, desacelerando a digestão.
Competição por recursos:
Essa disputa por sangue pode levar a sintomas como tontura, fraqueza, palidez e até vômitos, especialmente se o exercício for intenso ou a refeição pesada.
Consequências:
Embora não seja diretamente causado pela água, nadar após comer pode intensificar o desconforto, pois a atividade física exige mais fluxo sanguíneo para os músculos.
Prevenção:
Aguardar o tempo de digestão:
É recomendável esperar pelo menos 1 a 2 horas após refeições completas antes de se exercitar intensamente ou entrar na piscina.
Comidas leves:
Se optar por uma refeição leve (frutas, sucos), o intervalo para a prática de exercícios pode ser menor (cerca de 30 minutos).
Escutar o corpo:
Observe os sinais do seu corpo e pare a atividade se começar a sentir mal-estar.
É recomendado consultar um profissional de saúde, médico, nutricionista para obter orientações personalizadas a cada caso.




