Cirurgia Robótica

Prof. Fábio Rocha e Dr. Nelson Liboni

Por Dr. Nelson de Souza Liboni e Dr. Ricardo Abdala

Compartilhe:

O Professor dizia: respeite a forma da agulha; faça o movimento da agulha! O aluno, então, reproduzia a técnica. O robô reproduz a técnica do operador.

A robótica,como evolução, veio de forma lenta as mãos do cirurgião. Foi-se desenvolvendo em laboratório, com o propósito militar de operar a distância, em locais onde perder o profissional da saúde era um risco a ser evitado. Com o patrocínio do Departamento de Defesa Americano e a participação de centros de desenvolvimento tecnológico foi criado o conceito de manipular um braço robótico em posição natural, intuitiva do operador. O cirurgião fica em posição de procedimento como se estivesse de frente ao objeto de interesse, olhando para as próprias mãos em ergonomia natural. Associou-se a este conceito a visão perfeita, com sensação tridimensional e profundidade de campo semelhantes aos olhos humanos. Isto começou em 91, desenvolveu-se em laboratório até 96, tornou-se comercialmente viável e em 2000 foi aprovado pelo FDA americano para uso no mercado da saúde. Em termos de manipulação a distância, ficou preso ao desenvolvimento das telecomunicações e eficácia na velocidade da transmissão de dados, pois os comandos e as imagens deveriam ser imediatos, sem atrasos ou sem estarem sob risco de perda de dados. Além disso, o investimento financeiro e o custeio de sua divulgação dependiam de sua própria aceitação pelos profissionais treinados e da demanda populacional, itens que ainda vão aparecer e se desenvolver.

O titulo de médico generalista foi perdendo espaço conforme as descobertas clínicas e de microbiologia foram incorporadas a prática e tratamento. Um sem número de informações, e o que é mais importante, o acesso as mesmas obrigou o profissional da saúde a se especializar. Nesta mistura de informação, compilamento de dados, raciocínio e atitude responsável, o médico teve que aprender a assimilar e utilizar a tecnologia para seu exercício profissional. Dispositivos de comunicação e de armazenamento de dados foram anexados a rotina, inclusive com atualizações imediatas e rápidas. O feudo cirúrgico não conseguiu conter esta invasão e agregou a técnica operatória o programa do computador, dando ordens a um braço mecânico para reproduzir e aperfeiçoar os movimentos dos punhos, das mãos e dedos. O cirurgião geral que ia da cabeça aos pés, ficou restrito a algumas áreas, ou órgãos conforme suas habilidades nos últimos 30 anos. Nos últimos 20 anos com o advento da vídeo cirurgia ficou mais direcionado as cavidades, com a aplicação da mínima invasão, ou da mínima agressão frente aos órgãos não doentes que poderiam ser resguardados para melhorar a recuperação pós operatória. Em julho de 1990 fez-se a primeira colecistectomia vídeo cirúrgica do Brasil, com instrumental no inicio de sua criação, com uma série de limitações tecnológicas se comparadas com os aparelhos atuais.

Em comparação a video laparoscopia podemos relatar
As vantagens :
-maior precisão, imagem 10 x maiores com nitidez, Full HD 3D , movimentos mais delicados a 360º em decorrência dos braços robóticos
-menor sangramento e dores na fase de recuperação
-menor estadia hospitalar


As desvantagens:
-custo do dispositivo
-falta de sensação tátil e tempo de aprendizagem

Veja nossa entrevista sobre Cirurgia Robótica

Notícias