Aspectos psicológicos inerentes ao tratamento cirúrgico

Aspectos psicológicos inerentes ao tratamento cirúrgico

Por Dr Nelson Liboni e Dra. Cristina Mendes Gigliotti Borsari

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Vivemos em tempos de ansiedade. A humanidade parece que se acostumou ao conhecimento instantâneo de redes sociais e internet, a rotina atribulada, ao excesso de trabalho e a falta de tempo. Mas na contramão disso tudo, vem o nosso olhar para nossa saúde. De fato, precisamos cuidar da máquina, do corpo e dos aspectos emocionais tão intrinsicamente relacionados a nossa saúde e ao adoecimento.

A ansiedade é uma resposta fisiológica e comportamental ao novo, ao desconhecido. Então, quando recebemos o diagnóstico de alguma doença e a possibilidade de tratamento cirúrgico, é como se nos sentíssemos ameaçados, em perigo. O paciente experimenta e vivência de aspectos emocionais alterados, como a falta de controle sobre sua existência, a vulnerabilidade e a labilidade emocional.

Nesse contexto, entendemos que o papel do médico cirurgião é fundamental para trazer a segurança e o esclarecimento do tratamento. Afinal, o que acontecerá no campo cirúrgico. Ameaçador não é mesmo? Mas o médico e toda a equipe assistencial de saúde tem o preparo para amenizar e ajudar o paciente e sua família.

Uma boa conversa sobre o preparo pré-cirurgico, esclarecimentos sobre a anestesia e os cuidados após a cirurgia são fundamentais para que os pacientes se sintam mais seguros e menos ansiosos. O fundamental é ir além do caráter técnico, a importância do olho no olho, é realmente tocar a outra alma humana.

As avaliações psicológicas dos pacientes no pré-cirúrgico e o acompanhamento do paciente pós-cirúrgico são imprescindíveis, a partir do momento que o paciente entende que sua rotina diária mudará por um periodo para o tratamento cirúrgico; e que o suporte familiar também será importante nesse cenário.

Os aspectos emocionais interferem no funcionamento do nosso corpo. O humor entristecido, a ansiedade, o estresse, se relacionam com o eixo psiconeuroimunoendocrinológico, interferindo nos bons resultados da cirurgia. A maneira que o paciente percebe a ameaça, no caso a cirurgia, ou seja, o significado que atribui a ela, é mais importante do que a própria cirurgia.

Toda e qualquer intervenção cirúrgica é uma situação crítica que expõe o paciente a um estresse físico e emocional. Desperta componentes pessoais complexos que se manifestam em emoções, fantasias, atitudes e comportamentos e que prejudicam o desenvolvimento da prática médica. O paciente tem que lidar com o fato de estar doente, de enfrentar uma cirurgia, e de se reorganizar na dinâmica familiar e de trabalho, é preciso pausar. Assim, a compreensão da dinâmica emocional, somado aos aspectos cognitivos e sociais promovem a melhor aderência e a melhor recuperação. Portanto, esse olhar holístico, ou seja, do todo é importante para o sucesso do tratamento.

Cristina Mendes Gigliotti Borsari
Psicóloga Clinica e Hospitalar
Contato: 971109690

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