Apendicite

Dr. Nelson Liboni

Por Dr. Nelson de Souza Liboni

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O apêndice é uma pequena bolsa, em formato de tubo, que mede entre 3 a 20 cm, e é ligada ao intestino grosso. Ele fica localizado próximo à região onde o intestino delgado se liga ao grosso. Na prática, ele fica mais ou menos na região inferior direita do abdômen.

Um estudo de 2017 revisou dados sobre 533 espécies de mamíferos e descobriu que o apêndice aparece em várias espécies não relacionadas. O que mostra que existe uma importância para a existência desse órgão. Ele basicamente tem função imunológica. Acreditava-se que o apêndice era um órgão vestigial, ou seja, quando é uma estrutura atrofiada que apresenta pouca ou nenhuma função, e que na evolução deixou de desempenhar função no organismo. Já estudos atuais mostram que o apêndice tem papel importante no corpo humano, estimulando a produção de bactérias “boas” que habitam o intestino, formam a nossa flora intestinal e ajudam na digestão, além de células de defesa.

Quanto a outras espécies, a hipótese dos especialistas era de que, um dia, o apêndice foi muito importante para ajudar na digestão de vegetais, sendo morada de micro-organismos capazes de quebrar moléculas de celulose comum em animais herbívoros.

O apêndice é uma espécie de depósito de bactérias benignas do intestino grosso e ajudam a povoar a flora intestinal. O trato gastrointestinal humano começa na cavidade oral, terminando na região anal, possuindo micro-organismos variados que aumentam em número conforme progredimos em direção ao cólon, fazendo parte do que chamamos de microbiota intestinal. Eles variam de micro-organismos facultativos (1-10%) e estritos (95%) chegando a 1011 e 1012 células por grama de conteúdo intestinal, formando um ecossistema com diferentes bactérias.

Os enterócitos, colonócitos, células caliciformes e células de Paneth são a primeira barreira junto com a camada de muco restringindo a penetração de patógenos (organismos que são capazes de causar doença em um hospedeiro) na circulação sanguínea e na regulação do transporte de moléculas. Junto a flora intestinal, formam uma barreira natural do nosso tubo digestivo.

Essas bactérias reduzem a ativação de xenobióticos (compostos químicos estranhos ao organismo humano), modulam a produção de muco, estimulam o sistema imune, aumentam a excreção de nitrogênio, induzem a produção de hormônios intestinais, reduzem o ph facilitando a absorção de cátions, induzem a morte natural das células, modulam a produção de lípides e glicose pelo fígado e modulam a microbiota intestinal.

Elas ainda nos previnem de situações como: diarreia aguda, diarreia pós-antibiótico, prevenção da diarreia do viajante, constipação intestinal, prevenção de infecção respiratória e intestinal em crianças, nas doenças inflamatórias intestinais, reposição de microbiota intestinal em idosos, aumento na absorção de sais minerais e na intolerância a lactose.

Apendicectomia é indicada na apendicite aguda se não tratada, o quadro pode evoluir para graves complicações clinicas como sepses, apendicite hiperplástica e óbito.

A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo de tratamento cirúrgico. É uma doença típica dos adolescentes e adultos jovens, e é incomum antes dos cinco e após os 50 anos. O risco geral de apendicite é de 1/35 em homens e 1/50 em mulheres. A partir dos 70 anos, este risco é de 1/1009,10

A apendicite aguda resulta da obstrução da luz do apêndice provocada por - na grande maioria das vezes - fecalito ou hiperplasia linfoide (reação inflamatória intensa do apêndice) e, mais raramente, por corpo estranho, parasitas ou tumores, tumores aderências e traumatismos.

A apendicite aguda é uma infecção polimicrobiana com associação de germes aeróbios e anaeróbios (que não necessita de oxigênio para o crescimento), sendo os principais agentes encontrados nas culturas a Escherichia coli e o Bacteroides fragilis.

Alguns dos principais sintomas são:

  • Mal-estar,flatulência,empachamento,alteração do hábito intestinal;
  • Anorexia, náuseas e vômitos;
  • Migração da dor para o lado inferior direito do abdômen;
  • Febre acima de 38º.

O diagnostico diferencial deve ser feito com doenças do trato urinário, ginecológicos, outras doenças gastrointestinais .Importante a historia clinica, exame físico, métodos de imagem e laboratoriais para o estudo.

A cirurgia, quando bem indicada no caso de apendicite aguda, é o método mais eficaz e seguro para o paciente. As principais complicações da cirurgia são infecção, abscessos peritoneais e fístulas. Os riscos de não faze-la envolvem infecções, abscessos, peritonite, sepsis e etc, com risco de morte, sendo portanto mis graves.

Ainda existem outras situações que recomendam a retirada do apêndice além do quadro de apendicite aguda, como nos tumores de apendice

Os métodos de retirada do órgão são por meio de apendicectomias, que são as cirurgias ‘abertas’, ou por laparoscopia, sendo uma opção com uma recuperação mais rápida, além oferecer ao cirurgião uma melhor visualização da cavidade abdominal.

Existem em certas ocasiões vantagens na apendicectomia.No caso de um paciente sem complicações detectáveis, não há sentido em realizar a retirada do órgão, mas na apendicite crônica e apendicite recorrente, caracterizadas por surtos recorrentes de apendicite aguda, e outros com dor crônica no quadrante inferior direito do abdômen, em que em alguns casos a cirurgia poderá ser considerada, mas ainda é uma questão controversa e questionada por muitos.

Em relação à apendicite aguda recorrente, os pacientes que apresentam história de vários quadros semelhantes de dor aguda com involução espontânea até o dia em que são submetidos à apendicectomia de urgência e é constatada apendicite aguda. Nesses casos, o cirurgião pode, eventualmente, verificar que coexistem sinais de inflamação aguda e de aderências crônicas. Muito mais controversa é a apendicite crônica como entidade clinicamente exteriorizada com quadro de dor crônica na fossa ilíaca direita; na maioria das vezes, a tomografia não tem achados que possam confirmar o diagnóstico. No entanto, como hipótese diagnóstica de exceção, ela deve ser considerada. Em casos selecionados, a apendicectomia é curativa em 82% a 93% dos pacientes

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